| «Purificada a atmósfera, o Aurélio rompeu o silêncio, perguntando ao Lobo o que queria. ‘Verificar se Vossas Excelências trazen contrabando’. ‘Você não me conhece?’ replicou o Aurélio com intimativa. ‘Olhe que eu tenho dois nomes: sou tenente de Infanteria 14 e administrador do concelho de Montalegre!’. ‘Tudo pode ser, mas nós estamos aqui no exercício das nossas funções, e só nos é permitido ver em Vossa Excelência um contrabandista enquanto não provar o contrário’. […] Os guardas romepram a posição de sentido e dirigiram-se cada qual à sua cavalgadura e respectivo cavaleiro, de cujos albardões alforges, carteiras e bolsos començaram a tirar mantas de viagem, cobertores, xailes, lençóis de linho, panos de seda, lenços de cambraia, porcelanas, faianças, meotes, tabaco, perfumes e fantasias, o que, tudo junto, encheu dois sacos de boas medidas». |
Fragmento de «O lobo guerrilheiro»
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Texto:
Bibliografía:
Cruz, Bento da (2014): O lobo guerrilheiro. Lisboa: Âncora Editora.
Página:
36-37
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